Organismos geneticamente
modificados
O que são?
Organismos geneticamente
modificados são definidos como toda entidade biológica cujo material genético
(ADN/ARN) foi alterado por meio de qualquer técnica de engenharia genética, de
uma maneira que não ocorreria naturalmente. A tecnologia permite que genes
individuais selecionados sejam transferidos de um organismo para outro,
inclusive entre espécies não relacionadas. Estes métodos são usados para criar
plantas geneticamente modificadas para o cultivo de matérias-primas e
alimentos.
Essas culturas são direcionadas
para maior nível de proteção das plantações por meio da introdução de códigos
genéticos resistentes a doenças causadas por insetos ou vírus, ou por um
aumento da tolerância aos herbicidas.
Nesta categoria, não se inclui
culturas resultantes de técnicas que impliquem a introdução direta, em um
organismo, de material hereditário, desde que não envolvam a utilização de
moléculas de ADN/ARN recombinante, inclusive fecundação in vitro, conjugação, transdução,
transformação, indução poliplóide e qualquer outro processo natural. Nesse
contexto, também é importante salientar a definição de termos comumente
utilizados nessa área:
- Engenharia Genética: atividade
de produção e manipulação de moléculas de ADN/ARN recombinante;
- Ácido desoxirribonucléico
(ADN), ácido ribonucléico (ARN): material genético que contêm informações
determinantes dos caracteres hereditários transmissíveis à descendência;
- Derivado de OGM: produto
obtido de OGM e que não possua capacidade autônoma de replicação ou que não
contenha forma viável de OGM. Não se inclui na categoria de derivado a
substância pura, quimicamente definida, obtida por meio de processos
biotecnológicos e que não contenha OGM, proteína heteróloga ou ADN recombinante;
De acordo com a legislação, após
manifestação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), compete ao
Ministério da Agricultura a emissão de autorizações e registros, bem como
a fiscalização de produtos e atividades que utilizem organismos
geneticamente modificados e seus derivados destinados ao uso animal, na
agricultura, na pecuária, na agroindústria e áreas afins. Essas atividades
estão sob responsabilidade da Coordenação de Biossegurança, vinculada à
Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário
(SDA).
5 PRINCIPAIS
ALIMENTOS TRANSGÊNICOS
MILHO
Com as variantes transgênicas
respondendo por mais de 85% das atuais lavouras do produto no Brasil e nos
Estados Unidos, não é de se espantar que a pipoca consumida no cinema, por
exemplo, venha de um tipo de milho que recebeu, em laboratório, um gene para
torná-lo tolerante a herbicida, ou um gene para deixá-lo resistente a insetos,
ou ambos. Dezoito variantes de milho geneticamente modificado foram autorizadas
pelo CTNBio, órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia que aprova os pedidos
de comercialização de OGMs.
ÓLEO DE COZINHA
Os óleos extraídos de soja,
milho e algodão, os três campeões entre as culturas geneticamente modificadas.
SOJA
No mundo todo, o grosso da
soja transgênica, vai direto para a alimentação dos animais, o seu subproduto
que é o óleo, é o que consumimos e há ainda o leite de soja, tofu e bebidas de
frutas, todos possuem proteínas transgênicas, a não ser que tenha vindo de uma
soja não transgênica.
ABOBRINHA
Seis variedades de abobrinha
resistentes a três tipos de vírus são plantadas e comercializadas nos Estados
Unidos e Canada. Ela não é vendida no Brasil ou na Europa.
FEIJÃO
A Empresa Brasileira para Pesquisa Agropecuária
(Embrapa), ligada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,
conseguiu em 2011 a aprovação na CTNBio para o cultivo comercial de uma
variedade de feijão resistente ao vírus do mosaico dourado, tido como o maior
inimigo dessa cultura no país e na América do Sul. As sementes devem ser
distribuídas aos produtores brasileiros – livre de royalties – em 2014, o que
pode ajudar o país a se tornar autossuficiente no setor. É o primeiro produto
geneticamente modificado desenvolvido por uma instituição pública brasileira.
Área de cultivo de transgênios no mundo
O levantamento também revela que os transgênicos
são a tecnologia agrícola adotata mais rapidamente na história recente da
agricultura. “A área plantada com OGM na última safra (2014) é cerca de 100
vezes maior do que a registrada em 1996, primeiro ano em que foram cultivados;
isso mostra o quanto o agricultor e a sociedade percebe os benefícios e a
segurança dessa tecnologia”, afirma Anderson Galvão, representante do ISAAA no
Brasil. No Brasil, a taxa de adoção foi de 89,3%, considerando soja, milho e
algodão, as três culturas GM aprovadas comercialmente no país. No caso da soja,
93% da área foi plantada com variedades transgênicas, para o milho (safras de
inverno e verão) a taxa foi de 82% e para o algodão, 66%.
Além dos benefícios agronômicos, os OGM têm
colaborado para melhorar a vida de agricultores em todo o mundo. De acordo com as
informações do ISAAA, o cultivo de transgênicos trouxe renda para 16,5 milhões
de pequenos produtores rurais, beneficiando mais de 65 milhões de pessoas,
considerando suas famílias. Globalmente, 90% dos produtores que adotaram a
biotecnologia em 2014 são agricultores de pequeno porte. O dado contradiz a
crença de que a tecnologia só é viável para grandes produtores.
Outros destaques do relatório global do ISAAA sobre
o cultivo de variedades GM:
·
Bangladesh
Aprovada em outubro de 2013, a berinjela resistente a insetos desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa Agrícola de Bangladesh (Bari) já foi cultivada em 2014. No sul da Ásia, infestações de insetos ocasionam, por ano, perdas de 50 a 70% da produção dessa cultura.
Aprovada em outubro de 2013, a berinjela resistente a insetos desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa Agrícola de Bangladesh (Bari) já foi cultivada em 2014. No sul da Ásia, infestações de insetos ocasionam, por ano, perdas de 50 a 70% da produção dessa cultura.
·
Europa
Cinco países da União Europeia continuaram a plantar transgênicos em 2014. Dentre eles, a Espanha se destaca por ser responsável pelo equivalente a 92% da área cultivada com sementes GM no bloco. De acordo com o relatório, a taxa de adoção de milho resistente a insetos neste país atingiu o recorde de 31,6%.
Cinco países da União Europeia continuaram a plantar transgênicos em 2014. Dentre eles, a Espanha se destaca por ser responsável pelo equivalente a 92% da área cultivada com sementes GM no bloco. De acordo com o relatório, a taxa de adoção de milho resistente a insetos neste país atingiu o recorde de 31,6%.
·
África
A África segue progredindo no que diz respeito ao emprego da tecnologia dos OGM na agricultura. Em 2014, a África do Sul cultivou 2,7 milhões de hectares com transgênicos, a 9ª maior área entre 28 países. Plantas GM estão em testes em outros sete países (Camarões, Egito, Gana, Quênia, Malauí, Nigéria e Uganda).
A África segue progredindo no que diz respeito ao emprego da tecnologia dos OGM na agricultura. Em 2014, a África do Sul cultivou 2,7 milhões de hectares com transgênicos, a 9ª maior área entre 28 países. Plantas GM estão em testes em outros sete países (Camarões, Egito, Gana, Quênia, Malauí, Nigéria e Uganda).
·
Benefícios socioeconômicos
O levantamento também menciona uma compilação global de 147 estudos sobre cultivos transgênicos. Segundo eles, ao longo dos últimos 20 anos, em média, os OGM reduziram o uso de defensivos químicos em 37% ao mesmo tempo em que aumentaram a produtividade em 22% e os rendimentos dos agricultores em 68%.
O levantamento também menciona uma compilação global de 147 estudos sobre cultivos transgênicos. Segundo eles, ao longo dos últimos 20 anos, em média, os OGM reduziram o uso de defensivos químicos em 37% ao mesmo tempo em que aumentaram a produtividade em 22% e os rendimentos dos agricultores em 68%.
·
Milho tolerante à seca
Além de caraterísticas agronômicas (tolerância a herbicidas e resistência a insetos), pesquisadores também estão empenhados em desenvolver vegetais com características de resistência a estresses abióticos (seca, solos salinos, inundações etc). O primeiro milho tolerante à seca plantado nos EUA, entre 2013 e 2014, teve sua área multiplicada em 5,5 vezes, refletindo a aceitação dessa tecnologia pelos agricultores locais.
Além de caraterísticas agronômicas (tolerância a herbicidas e resistência a insetos), pesquisadores também estão empenhados em desenvolver vegetais com características de resistência a estresses abióticos (seca, solos salinos, inundações etc). O primeiro milho tolerante à seca plantado nos EUA, entre 2013 e 2014, teve sua área multiplicada em 5,5 vezes, refletindo a aceitação dessa tecnologia pelos agricultores locais.
Entrevista
Melhoramento
genético: novas técnicas e olhares (31/03/2016)
Para a
Ph.D em Genética Alison Van Eenennaam, a agricultura e a pecuária estão no
centro da discussão sobre como alimentar a crescente população do planeta.
Segundo ela, tecnologia será fundamental para que essas atividades consigam um
esperado, e necessário, ganho de produtividade. A australiana, que há 30
anos trocou a Oceania pela América do Norte, argumenta que existem diversas
técnicas de melhoramento genético para plantas e animais e abrir mão de
qualquer uma delas é também dar as costas para a sustentabilidade.
Na Universidade da Califórnia-Davis, Estados
Unidos, Alison se dedica a diversas pesquisas independentes. Ela foi
responsável por um dos mais abrangentes estudos sobre a biossegurança de
alimentos transgênicos e atualmente está envolvida no desenvolvimento de vacas
sem chifres por meio de uma técnica inovadora chamada de ‘edição’ genética. A
AgroAnalysis conversou com a cientista sobre essas e outras descobertas que
podem revolucionar a produção de alimentos no mundo.
Qual é a sua principal linha de pesquisa
atualmente?
Trabalho com melhoramento de animais de criação.
Tenho projetos que envolvem o desenvolvimento de espécies que expressam
características desejadas, a exemplo de resistência a doenças ou a ausência de
chifres, por meio de diversas abordagens de manipulação do DNA. A maior parte
desses projetos envolve uma nova técnica chamada ‘edição’ genética.
No que consiste a ‘edição’ genética?
É uma ferramenta da biologia molecular que não
introduz um novo gene no DNA do organismo a ser transformado. Ao invés disso,
trabalhamos com os genes da própria espécie, editando-os para obter a sequência
que nos interessa e, consequentemente, fazer com que o organismo expresse a
característica que estamos tentando melhorar.
É possível introduzir novas características por
meio dessa técnica?
Sim, mas de maneira diferente da transgenia. Façamos
uma alegoria com o alfabeto. Na engenharia genética, para obter uma nova
palavra, introduz-se uma nova letra. Já com a “edição” genética, buscamos novas
combinações com as letras pré-existentes a fim de obter novas palavras. As
palavras, nessa metáfora, representam as características que estamos buscando.
Me pergunto se essa técnica deve ser regulamentada
da mesma maneira que a engenharia genética. Do ponto de vista da biossegurança,
parece óbvio que se levantem menos questões a respeito de um organismo
geneticamente editado, uma vez que, a exemplo das vacas sem chifres, esse
animal já está na alimentação das pessoas e nenhum gene foi adicionado. Com
essa técnica, não cruzamos a barreira entre espécies. Em outras palavras,
diferentes técnicas de melhoramento genético merecem olhares distintos,
inclusive do ponto de vista regulatório.
Você mencionou que a transgenia transpõe a barreira
entre espécies. Há motivos para as pessoas se preocuparem com alimentos
produzidos a partir dessa técnica?
Não. O que a transgenia faz é introduzir uma
proteína específica de um organismo em outro. Devemos garantir que essa
proteína não é alergênica nem tem outra característica indesejável. O fato de
vir de uma espécie ou de outra não é, realmente, a questão. O que importa é o
produto final. Se a avaliação concluir que o produto é equivalente, à exceção
da proteína adicionada, então ele é um alimento tão seguro quanto as variedades
convencionais.
Além disso, em vinte anos de consumo de alimentos
desenvolvidos por meio dessa tecnologia, não há um só caso em que os alimentos
transgênicos fizeram algum tipo de mal simplesmente pelo fato de serem
geneticamente modificados (GM). Todas as mais respeitadas sociedades
científicas do mundo chegaram à conclusão de que os transgênicos aprovados são
tão seguros quanto seus equivalentes convencionais.
Podemos confiar nas análises de biossegurança que
atestam a segurança dos transgênicos?
Sim. Porém, as agências de análise de biossegurança
dos países não dizem se um alimento é seguro. O que elas fazem, com o respaldo
da ciência, é garantir que eles são tão seguros quanto as variedades
convencionais. Não é possível dizer, por exemplo, que o amendoim é 100% seguro
porque algumas pessoas são alérgicas a esse alimento. Na hipótese de ser desenvolvido
um amendoim transgênico, o que a agência faria, é dizer se a variedade
geneticamente modificada é tão segura quanto a convencional.
Dessa maneira, a questão é, seria o alimento transgênico menos seguro do que os cultivos convencionais? Se a resposta das agências de análise independentes, como a Food and Drug Administration (FDA) nos EUA e a Comissão técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) no Brasil, for não, esse organismo geneticamente modificado (OGM) não representa risco adicional à saúde humana, animal ou ao meio ambiente. Até hoje, todas as evidências científicas apontam nesse sentido.
Dessa maneira, a questão é, seria o alimento transgênico menos seguro do que os cultivos convencionais? Se a resposta das agências de análise independentes, como a Food and Drug Administration (FDA) nos EUA e a Comissão técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) no Brasil, for não, esse organismo geneticamente modificado (OGM) não representa risco adicional à saúde humana, animal ou ao meio ambiente. Até hoje, todas as evidências científicas apontam nesse sentido.
Existem estudos de longo prazo comprovando que os
transgênicos são tão seguros quanto variedades convencionais?
Sim. Coordenei um estudo publicado na revista científica Journal
of Animal Science que oferece uma avaliação bastante completa sobre o
impacto dos OGM na alimentação animal. A pesquisa analisou 29 anos de produção
pecuária e colheu dados sobre a saúde dos animais antes e depois da introdução
dos transgênicos. A conclusão do estudo é que a alimentação transgênica é
equivalente à não transgênica e não há evidências de reações adversas
associadas aos produtos GM. A amostra foi de mais de 100 bilhões de animais. O
estudo também mostrou que não existem diferenças na qualidade nutricional da
carne, leite ou de outros produtos derivados de animais alimentados com ração
contendo ingredientes GM.
Na área agrícola a biotecnologia é uma ferramenta
bastante consolidada, entretanto, não há uma frequência tão grande de animais
transgênicos no mercado. Por que essa diferença?
Em geral, as tecnologias de transferência de um
gene de uma espécie para outra têm uma taxa de sucesso baixa. De 100 embriões
que passam pelo processo de transformação, pode ser que em apenas um deles o
gene inserido seja viável e estável. Quando nós estamos falando de um milho,
isso não é um grande problema pois é possível gerar várias gerações da planta
em um curto espaço de tempo. Porém, no caso de embriões de animais, o processo
é extremamente custoso e demorado. Ainda assim, isso tem sido feito e há
exemplos de animais GM nos EUA e pesquisas avançadas na Argentina e no Brasil.
Devemos esperar mais animais GM no futuro?
Nos EUA eles já são uma realidade. Recentemente a
FDA aprovou um salmão GM para consumo humano e uma galinha em cujos ovos é
produzido um composto medicinal. Antes deles também foram liberados coelhos e
cabras transgênicos que produzem substâncias úteis para a indústria
farmacêutica em seus leites.
No mundo, há diversas pesquisas envolvendo resistência a doenças, principalmente em aves, bovinos e suínos. Atualmente, doenças causam a perda de aproximadamente 20% de toda proteína animal produzida. Com essa tecnologia, seria possível evitar ou reduzir essa perda. Do ponto de vista econômico, um rebanho mais resistente produz mais carne em um espaço menor. Além disso, se não adoecerem, também não será necessário medicá-los. Por todos esses benefícios, a criação de animais GM é mais sustentável.
No mundo, há diversas pesquisas envolvendo resistência a doenças, principalmente em aves, bovinos e suínos. Atualmente, doenças causam a perda de aproximadamente 20% de toda proteína animal produzida. Com essa tecnologia, seria possível evitar ou reduzir essa perda. Do ponto de vista econômico, um rebanho mais resistente produz mais carne em um espaço menor. Além disso, se não adoecerem, também não será necessário medicá-los. Por todos esses benefícios, a criação de animais GM é mais sustentável.
Como lidar com movimentos anti-ciência e anti-OGM
que usam abordagens violentas de protestos?
Devemos
sempre tentar a abordagem do diálogo. A maioria das pessoas é bastante razoável
e está disposta a aprender e debater. No meu caso, por exemplo, quando explico
que meu trabalho de desenvolvimento de vacas sem chifres é bom para a criação
de animais por facilitar o manejo, é sustentável porque será possível produzir
mais com menos e não envolve nenhuma grande empresa porque seu financiamento é
público, as pessoas tendem a dar uma resposta positiva. Esse trabalho tem
impactos positivos para os animais e para as pessoas. Quando o público descobre
isso ele tende a ser mais receptivo. Em minha experiência, percebo que os
pontos de discordância geralmente não dizem respeito à tecnologia em si, mas
sim sobre questões comerciais, éticas e sociais. Hoje, como a maioria dos
produtos da biotecnologia traz benefícios para o produtor, uma parte do público
das cidades não consegue ver vantagens nos transgênicos. Porém, na medida em
que características como benefícios nutricionais forem cada vez mais
incorporadas aos OGM, acredito que as manifestações contrárias também vão
diminuir.
Ao analisarmos a necessidade de aumento de
produtividade na agricultura e na pecuária, fica claro que a tecnologia é uma
aliada. Não podemos abrir mão de ferramentas inovadoras como a engenharia ou a
‘edição’ genética na busca por uma produção de alimentos cada vez mais
sustentável.
Vídeo
O programa mostra que, além do intenso uso na
agricultura, já existem pesquisas envolvendo um mosquito da dengue
geneticamente modificado, que deverá se reproduzir menos no meio ambiente.
Fontes de pesquisa:









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