quarta-feira, 27 de abril de 2016

OGM: Você sabe o que é?

Organismos geneticamente modificados



O que são?

Organismos geneticamente modificados são definidos como toda entidade biológica cujo material genético (ADN/ARN) foi alterado por meio de qualquer técnica de engenharia genética, de uma maneira que não ocorreria naturalmente. A tecnologia permite que genes individuais selecionados sejam transferidos de um organismo para outro, inclusive entre espécies não relacionadas. Estes métodos são usados para criar plantas geneticamente modificadas para o cultivo de matérias-primas e alimentos.
Essas culturas são direcionadas para maior nível de proteção das plantações por meio da introdução de códigos genéticos resistentes a doenças causadas por insetos ou vírus, ou por um aumento da tolerância aos herbicidas.
Nesta categoria, não se inclui culturas resultantes de técnicas que impliquem a introdução direta, em um organismo, de material hereditário, desde que não envolvam a utilização de moléculas de ADN/ARN recombinante, inclusive fecundação in vitro, conjugação, transdução, transformação, indução poliplóide e qualquer outro processo natural. Nesse contexto, também é importante salientar a definição de termos comumente utilizados nessa área:

- Engenharia Genética: atividade de produção e manipulação de moléculas de ADN/ARN recombinante;
- Ácido desoxirribonucléico (ADN), ácido ribonucléico (ARN): material genético que contêm informações determinantes dos caracteres hereditários transmissíveis à descendência;
- Derivado de OGM: produto obtido de OGM e que não possua capacidade autônoma de replicação ou que não contenha forma viável de OGM. Não se inclui na categoria de derivado a substância pura, quimicamente definida, obtida por meio de processos biotecnológicos e que não contenha OGM, proteína heteróloga ou ADN recombinante;
De acordo com a legislação, após manifestação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), compete ao Ministério da Agricultura a emissão de autorizações e registros, bem como a  fiscalização de produtos e atividades que utilizem organismos geneticamente modificados e seus derivados destinados ao uso animal, na agricultura, na pecuária, na agroindústria e áreas afins. Essas atividades estão sob responsabilidade da Coordenação de Biossegurança, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário
(SDA). 


5 PRINCIPAIS ALIMENTOS TRANSGÊNICOS


MILHO

Com as variantes transgênicas respondendo por mais de 85% das atuais lavouras do produto no Brasil e nos Estados Unidos, não é de se espantar que a pipoca consumida no cinema, por exemplo, venha de um tipo de milho que recebeu, em laboratório, um gene para torná-lo tolerante a herbicida, ou um gene para deixá-lo resistente a insetos, ou ambos. Dezoito variantes de milho geneticamente modificado foram autorizadas pelo CTNBio, órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia que aprova os pedidos de comercialização de OGMs.



ÓLEO DE COZINHA
Os óleos extraídos de soja, milho e algodão, os três campeões entre as culturas geneticamente modificadas.


SOJA
No mundo todo, o grosso da soja transgênica, vai direto para a alimentação dos animais, o seu subproduto que é o óleo, é o que consumimos e há ainda o leite de soja, tofu e bebidas de frutas, todos possuem proteínas transgênicas, a não ser que tenha vindo de uma soja não transgênica.




ABOBRINHA
Seis variedades de abobrinha resistentes a três tipos de vírus são plantadas e comercializadas nos Estados Unidos e Canada. Ela não é vendida no Brasil ou na Europa.



FEIJÃO
A Empresa Brasileira para Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ligada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, conseguiu em 2011 a aprovação na CTNBio para o cultivo comercial de uma variedade de feijão resistente ao vírus do mosaico dourado, tido como o maior inimigo dessa cultura no país e na América do Sul. As sementes devem ser distribuídas aos produtores brasileiros – livre de royalties – em 2014, o que pode ajudar o país a se tornar autossuficiente no setor. É o primeiro produto geneticamente modificado desenvolvido por uma instituição pública brasileira.



Área de cultivo de transgênios no mundo




O levantamento também revela que os transgênicos são a tecnologia agrícola adotata mais rapidamente na história recente da agricultura. “A área plantada com OGM na última safra (2014) é cerca de 100 vezes maior do que a registrada em 1996, primeiro ano em que foram cultivados; isso mostra o quanto o agricultor e a sociedade percebe os benefícios e a segurança dessa tecnologia”, afirma Anderson Galvão, representante do ISAAA no Brasil. No Brasil, a taxa de adoção foi de 89,3%, considerando soja, milho e algodão, as três culturas GM aprovadas comercialmente no país. No caso da soja, 93% da área foi plantada com variedades transgênicas, para o milho (safras de inverno e verão) a taxa foi de 82% e para o algodão, 66%.



Além dos benefícios agronômicos, os OGM têm colaborado para melhorar a vida de agricultores em todo o mundo. De acordo com as informações do ISAAA, o cultivo de transgênicos trouxe renda para 16,5 milhões de pequenos produtores rurais, beneficiando mais de 65 milhões de pessoas, considerando suas famílias. Globalmente, 90% dos produtores que adotaram a biotecnologia em 2014 são agricultores de pequeno porte. O dado contradiz a crença de que a tecnologia só é viável para grandes produtores.
Outros destaques do relatório global do ISAAA sobre o cultivo de variedades GM:
·         Bangladesh
Aprovada em outubro de 2013, a berinjela resistente a insetos desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa Agrícola de Bangladesh (Bari) já foi cultivada em 2014. No sul da Ásia, infestações de insetos ocasionam, por ano, perdas de 50 a 70% da produção dessa cultura.
·         Europa
Cinco países da União Europeia continuaram a plantar transgênicos em 2014. Dentre eles, a Espanha se destaca por ser responsável pelo equivalente a 92% da área cultivada com sementes GM no bloco. De acordo com o relatório, a taxa de adoção de milho resistente a insetos neste país atingiu o recorde de 31,6%.
·         África
A África segue progredindo no que diz respeito ao emprego da tecnologia dos OGM na agricultura. Em 2014, a África do Sul cultivou 2,7 milhões de hectares com transgênicos, a 9ª maior área entre 28 países. Plantas GM estão em testes em outros sete países (Camarões, Egito, Gana, Quênia, Malauí, Nigéria e Uganda).
·         Benefícios socioeconômicos
O levantamento também menciona uma compilação global de 147 estudos sobre cultivos transgênicos. Segundo eles, ao longo dos últimos 20 anos, em média, os OGM reduziram o uso de defensivos químicos em 37% ao mesmo tempo em que aumentaram a produtividade em 22% e os rendimentos dos agricultores em 68%.
·         Milho tolerante à seca
Além de caraterísticas agronômicas (tolerância a herbicidas e resistência a insetos), pesquisadores também estão empenhados em desenvolver vegetais com características de resistência a estresses abióticos (seca, solos salinos, inundações etc). O primeiro milho tolerante à seca plantado nos EUA, entre 2013 e 2014, teve sua área multiplicada em 5,5 vezes, refletindo a aceitação dessa tecnologia pelos agricultores locais.


Entrevista

Melhoramento genético: novas técnicas e olhares (31/03/2016)


Para a Ph.D em Genética Alison Van Eenennaam, a agricultura e a pecuária estão no centro da discussão sobre como alimentar a crescente população do planeta. Segundo ela, tecnologia será fundamental para que essas atividades consigam um esperado, e necessário, ganho de produtividade.  A australiana, que há 30 anos trocou a Oceania pela América do Norte, argumenta que existem diversas técnicas de melhoramento genético para plantas e animais e abrir mão de qualquer uma delas é também dar as costas para a sustentabilidade.
Na Universidade da Califórnia-Davis, Estados Unidos, Alison se dedica a diversas pesquisas independentes. Ela foi responsável por um dos mais abrangentes estudos sobre a biossegurança de alimentos transgênicos e atualmente está envolvida no desenvolvimento de vacas sem chifres por meio de uma técnica inovadora chamada de ‘edição’ genética. A AgroAnalysis conversou com a cientista sobre essas e outras descobertas que podem revolucionar a produção de alimentos no mundo.
Qual é a sua principal linha de pesquisa atualmente?
Trabalho com melhoramento de animais de criação. Tenho projetos que envolvem o desenvolvimento de espécies que expressam características desejadas, a exemplo de resistência a doenças ou a ausência de chifres, por meio de diversas abordagens de manipulação do DNA. A maior parte desses projetos envolve uma nova técnica chamada ‘edição’ genética.
No que consiste a ‘edição’ genética?
É uma ferramenta da biologia molecular que não introduz um novo gene no DNA do organismo a ser transformado. Ao invés disso, trabalhamos com os genes da própria espécie, editando-os para obter a sequência que nos interessa e, consequentemente, fazer com que o organismo expresse a característica que estamos tentando melhorar.
É possível introduzir novas características por meio dessa técnica?
Sim, mas de maneira diferente da transgenia. Façamos uma alegoria com o alfabeto. Na engenharia genética, para obter uma nova palavra, introduz-se uma nova letra. Já com a “edição” genética, buscamos novas combinações com as letras pré-existentes a fim de obter novas palavras. As palavras, nessa metáfora, representam as características que estamos buscando.
Me pergunto se essa técnica deve ser regulamentada da mesma maneira que a engenharia genética. Do ponto de vista da biossegurança, parece óbvio que se levantem menos questões a respeito de um organismo geneticamente editado, uma vez que, a exemplo das vacas sem chifres, esse animal já está na alimentação das pessoas e nenhum gene foi adicionado. Com essa técnica, não cruzamos a barreira entre espécies. Em outras palavras, diferentes técnicas de melhoramento genético merecem olhares distintos, inclusive do ponto de vista regulatório.
Você mencionou que a transgenia transpõe a barreira entre espécies. Há motivos para as pessoas se preocuparem com alimentos produzidos a partir dessa técnica?
Não. O que a transgenia faz é introduzir uma proteína específica de um organismo em outro. Devemos garantir que essa proteína não é alergênica nem tem outra característica indesejável. O fato de vir de uma espécie ou de outra não é, realmente, a questão. O que importa é o produto final. Se a avaliação concluir que o produto é equivalente, à exceção da proteína adicionada, então ele é um alimento tão seguro quanto as variedades convencionais.
Além disso, em vinte anos de consumo de alimentos desenvolvidos por meio dessa tecnologia, não há um só caso em que os alimentos transgênicos fizeram algum tipo de mal simplesmente pelo fato de serem geneticamente modificados (GM). Todas as mais respeitadas sociedades científicas do mundo chegaram à conclusão de que os transgênicos aprovados são tão seguros quanto seus equivalentes convencionais.
Podemos confiar nas análises de biossegurança que atestam a segurança dos transgênicos?
Sim. Porém, as agências de análise de biossegurança dos países não dizem se um alimento é seguro. O que elas fazem, com o respaldo da ciência, é garantir que eles são tão seguros quanto as variedades convencionais. Não é possível dizer, por exemplo, que o amendoim é 100% seguro porque algumas pessoas são alérgicas a esse alimento. Na hipótese de ser desenvolvido um amendoim transgênico, o que a agência faria, é dizer se a variedade geneticamente modificada é tão segura quanto a convencional.
Dessa maneira, a questão é, seria o alimento transgênico menos seguro do que os cultivos convencionais? Se a resposta das agências de análise independentes, como a Food and Drug Administration (FDA) nos EUA e a Comissão técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) no Brasil, for não, esse organismo geneticamente modificado (OGM) não representa risco adicional à saúde humana, animal ou ao meio ambiente. Até hoje, todas as evidências científicas apontam nesse sentido.
Existem estudos de longo prazo comprovando que os transgênicos são tão seguros quanto variedades convencionais?
Sim. Coordenei um estudo publicado na revista científica Journal of Animal Science que oferece uma avaliação bastante completa sobre o impacto dos OGM na alimentação animal. A pesquisa analisou 29 anos de produção pecuária e colheu dados sobre a saúde dos animais antes e depois da introdução dos transgênicos. A conclusão do estudo é que a alimentação transgênica é equivalente à não transgênica e não há evidências de reações adversas associadas aos produtos GM. A amostra foi de mais de 100 bilhões de animais. O estudo também mostrou que não existem diferenças na qualidade nutricional da carne, leite ou de outros produtos derivados de animais alimentados com ração contendo ingredientes GM.
Na área agrícola a biotecnologia é uma ferramenta bastante consolidada, entretanto, não há uma frequência tão grande de animais transgênicos no mercado. Por que essa diferença?
Em geral, as tecnologias de transferência de um gene de uma espécie para outra têm uma taxa de sucesso baixa. De 100 embriões que passam pelo processo de transformação, pode ser que em apenas um deles o gene inserido seja viável e estável. Quando nós estamos falando de um milho, isso não é um grande problema pois é possível gerar várias gerações da planta em um curto espaço de tempo. Porém, no caso de embriões de animais, o processo é extremamente custoso e demorado. Ainda assim, isso tem sido feito e há exemplos de animais GM nos EUA e pesquisas avançadas na Argentina e no Brasil.



Devemos esperar mais animais GM no futuro?
Nos EUA eles já são uma realidade. Recentemente a FDA aprovou um salmão GM para consumo humano e uma galinha em cujos ovos é produzido um composto medicinal. Antes deles também foram liberados coelhos e cabras transgênicos que produzem substâncias úteis para a indústria farmacêutica em seus leites.
No mundo, há diversas pesquisas envolvendo resistência a doenças, principalmente em aves, bovinos e suínos. Atualmente, doenças causam a perda de aproximadamente 20% de toda proteína animal produzida. Com essa tecnologia, seria possível evitar ou reduzir essa perda. Do ponto de vista econômico, um rebanho mais resistente produz mais carne em um espaço menor. Além disso, se não adoecerem, também não será necessário medicá-los. Por todos esses benefícios, a criação de animais GM é mais sustentável.
Como lidar com movimentos anti-ciência e anti-OGM que usam abordagens violentas de protestos?
Devemos sempre tentar a abordagem do diálogo. A maioria das pessoas é bastante razoável e está disposta a aprender e debater. No meu caso, por exemplo, quando explico que meu trabalho de desenvolvimento de vacas sem chifres é bom para a criação de animais por facilitar o manejo, é sustentável porque será possível produzir mais com menos e não envolve nenhuma grande empresa porque seu financiamento é público, as pessoas tendem a dar uma resposta positiva. Esse trabalho tem impactos positivos para os animais e para as pessoas. Quando o público descobre isso ele tende a ser mais receptivo. Em minha experiência, percebo que os pontos de discordância geralmente não dizem respeito à tecnologia em si, mas sim sobre questões comerciais, éticas e sociais. Hoje, como a maioria dos produtos da biotecnologia traz benefícios para o produtor, uma parte do público das cidades não consegue ver vantagens nos transgênicos. Porém, na medida em que características como benefícios nutricionais forem cada vez mais incorporadas aos OGM, acredito que as manifestações contrárias também vão diminuir.
Ao analisarmos a necessidade de aumento de produtividade na agricultura e na pecuária, fica claro que a tecnologia é uma aliada. Não podemos abrir mão de ferramentas inovadoras como a engenharia ou a ‘edição’ genética na busca por uma produção de alimentos cada vez mais sustentável.


Vídeo
O programa mostra que, além do intenso uso na agricultura, já existem pesquisas envolvendo um mosquito da dengue geneticamente modificado, que deverá se reproduzir menos no meio ambiente.


Fontes de pesquisa: 


 Data de acesso 26 de abril de 2016.


Nenhum comentário:

Postar um comentário