OGM é a sigla de Organismos Geneticamente Modificados, organismos manipulados geneticamente, de modo a favorecer
características desejadas, como a cor, tamanho etc. Os OGMs possuem alteração
em trecho(s) do genoma realizadas através da tecnologia do RNA/DNA
recombinante ou engenharia genética.
Três animais transgênicos e entenda argumentos
contra e a favor de seu uso
Conheça cinco deles e
entenda os argumentos contra e a favor de seu uso.
Frango
Um tipo de frango
transgênico que não transmite o vírus da gripe aviária foi desenvolvido por
pesquisadores das universidades de Cambridge e Edimburgo, na Grã-Bretanha.
Mesmo que esteja em
contato com outros frangos, o animal infectado não transmite o vírus para
outros. Segundo os cientistas envolvidos, essa alteração genética tem o
potencial de impedir que a doença se alastre.
Isso protegeria a saúde
não apenas de aves, mas poderia também evitar que um novo vírus da gripe
provocasse epidemias na população humana.
A alteração genética - uma
pequena molécula desenhada especificamente para impedir que o vírus se
reproduza após infectar um animal - não protege o frango contra o vírus, apenas
impede que ele o transmita.
Os cientistas ressaltam
que esse frango foi desenvolvido para fins de pesquisa apenas e não para o
consumo humano.
O projeto permitiu que a
equipe tivesse confirmação de que a alteração genética funciona. Portanto, há
probabilidade de que ela seja útil no desenvolvimento, no futuro, de frangos
imunes à gripe.
A equipe do Roslyn
Institute da University of Edinburgh explica, no entanto, que não observou
diferenças no desenvolvimento ou na saúde dos frangos transgênicos em relação
aos frangos comuns. E acrescenta não ter encontrado qualquer indício de que
esse frango não seja adequado para o consumo humano.
Alguns, no entanto,
questionam a eficiência do frango transgênico em interromper a transmissão da
gripe.
A cientista Helen Wallace,
da ONG Genewatch - que monitora o uso de tecnologias de engenharia genética -
disse à BBC Brasil que há a preocupação de que a transmissão do vírus continue
a ocorrer sem ser detectada.
Além disso, "o vírus
quer se reproduzir e evoluir. Então, uma única mutação em qualquer vírus pode
alterar suas propriedades, permitindo que se transmita mais facilmente, ou
tornando-o ainda mais agressivo".
Camundongo
Cada vez mais, animais
transgênicos são usados por cientistas em experimentos de laboratório.
De um total de 4,11
milhões de experimentos em animais realizados na Grã-Bretanha em 2012, 1,91
milhão envolveram animais transgênicos. Isso representou um aumento de 22% no
uso de cobaias transgênicos em relação ao ano anterior.
Camundongos mutantes foram
os mais usados, seguidos por ratos e peixes. Também houve um aumento de 22% no
uso de primatas não-humanos, entre eles, babuínos.
Também houve um aumento de
13% no número de procedimentos envolvendo animais submetidos a mutações genéticas
prejudiciais.
Quaisquer que sejam os
benefícios trazidos pelos experimentos, a ideia de que milhões de animais -
transgênicos ou não - estejam, nesse momento, sofrendo e morrendo em
laboratórios no mundo provoca o repúdio de ativistas que combatem a crueldade
contra animais.
Mosca da Fruta
Um tipo de mosca da fruta
transgênica, programada para a "autoextinção" poderia, de acordo com
cientistas britânicos, ser um método eficiente de controle de pestes em
lavouras.
A mosca, desenvolvida pela
companhia Oxitec, com sede no condado de Oxfordshire, na Inglaterra, é um
inseto macho que, quando se reproduz, gera apenas filhotes machos.
Isso porque as larvas
fêmeas possuem um gene que as leva a morrer antes de se tornarem adultas, ou
seja, são programadas para morrer.
Como resultado, após
várias gerações, a população se extingue - já que os machos não conseguem
encontrar fêmeas para o acasalamento.
Segundo os pesquisadores,
testes com a mosca transgênica em uma estufa resultaram no "colapso da
população" de moscas.
A equipe defende o uso
dessa mosca transgênica como uma forma eficiente e ecológica de evitar danos às
lavouras provocados pela mosca da fruta, que afeta mais de 300 tipos de
plantações.
Para fazer com que a mosca
transgênica se reproduza, a companhia "silencia" o gene da
auto-extinção em laboratório, usando um antibiótico chamado tetraciclina. A
droga funciona como um botão que desliga o transgene, permitindo que moscas
fêmeas se desenvolvam. Uma vez que o antibiótico é retirado, as fêmeas deixam de
sobreviver.
A ideia é que milhares de
machos transgênicos sejam soltos no ambiente. Segundo os pesquisadores,
rapidamente, começa a haver um desequilíbrio na proporção entre moscas machos e
fêmeas, o que torna aquela população insustentável.
"Na área onde se faz
essa operação, os índices de população (da mosca de fruta) diminuem
rapidamente, reduzindo massivamente os danos às plantações", disse um dos
autores do estudo, Philip Leftwich, da University of East Anglia e da Oxitec, à
BBC.
O especialista diz que o
próximo passo são testes de campo, fora do laboratório. Para isso, no entanto,
a empresa precisa da aprovação do governo.
A cientista Helen Wallace,
da ONG Genewatch - que monitora o uso de tecnologias de engenharia genética -
faz sérias críticas ao projeto.
Segundo ela, os efeitos, a
longo prazo, da liberação de milhões de moscas transgênicas no ambiente seriam
impossíveis de prever.
Ela alerta também para
possíveis riscos à saúde caso larvas das fêmeas mortas sejam deixadas dentro
dos alimentos.
E acrescenta que, a longo
prazo, o mecanismo de "auto-extinção" pode falhar, à medida que
moscas desenvolvam resistência ou se reproduzam em locais contaminados pelo
antibiótico tetraciclina, bastante usado na agricultura.
Cientistas criam primeiros macacos geneticamente modificados
Pesquisadores
chineses produziram em laboratório dois animais com mutações. É o primeiro
passo para o estudo em primatas de doenças como Alzheimer ou Parkinson, que
ainda intrigam os cientistas
Pela primeira vez, uma
equipe de cientistas criou dois macacos que nasceram com dois genes modificados
por meio da técnica CRISPR/Cas9.
Para fazer os transgênicos, pesquisadores ligados à Universidade
Médica de Nanjing, na China, e a laboratórios de pesquisas genéticas e
biomédicas do país, usou o sistema de edição genética que se tornou popular no
ano passado. A técnica CRISPR/Cas9, que havia sido utilizada com sucesso em
ratos e camundongos, pela primeira vez funcionou em primatas. Adaptada das
bactérias, ela possibilita a mutação de genes específicos, sem alterar outros
pedaços do genoma.
Os macacos cinomologos (Macaca
fascicularis) foram escolhidos por seu tamanho e semelhanças com os
humanos. Para conseguir criar os dois filhotes transgênicos, os cientistas
tentaram modificar em quinze embriões três genes envolvidos em doenças como
diabetes e câncer. O sequenciamento do DNA mostrou que a mutação de oito desses
embriões tinha sido bem-sucedida para dois dos genes-alvo. O próximo passo foi
inserir esses embriões em fêmeas. Uma delas foi capaz de gerar dois filhotes
gêmeos.
Os modelos não apresentaram nenhuma outra mutação em seu genoma,
o que leva a crer que a CRISPR/Cas9 não causa nenhum efeito colateral ao ser
utilizada em macacos. "Com a precisão genética do sistema CRISPR,
esperamos que muitos modelos de doenças possam ser gerados em macacos, o que
trará um avanço significativo ao desenvolvimento de estratégias terapêuticas em
pesquisas biomédicas", afirmou Weizhi Ji, um dos autores da pesquisa, do
Laboratório Yunnan Key de Pesquisas Biomédicas em Primatas, na China.
Avanço Científico - A pesquisa chinesa pode ajudar cientistas de todo o mundo a
estudar doenças causadas por mutações genéticas como diabetes, Parkinson ou
Alzheimer. Por meio do estudo em modelos animais parecidos com humanos, seria
possível compreender o funcionamento dessas enfermidades e desenvolver métodos
mais eficazes de diagnóstico e tratamento.
A técnica CRISPR permite um tipo de edição genética singular no
genoma dos macacos. Desde 1989, cientistas promovem alterações em animais
inserindo genes a mais ou promovendo a modificação de um gene, que, cruzado com
outro, geram descendentes. A nova técnica permite que a mudança seja provocada
em apenas uma geração, diretamente no animal a ser estudado.
O risco de mutações fora dos genes-alvo não observado pela
equipe chinesa. "Essa pesquisa é realmente importante para nós. Ela
desenvolve uma ferramenta poderosa para gerarmos animais o mais próximo
possível de humanos. Temos agora um modelo que podemos manipular geneticamente
para estudar doença humanas", afirma Lygia da Veiga, chefe do Laboratório
Nacional de Células-Tronco Embrionárias da Universidade de São Paulo (USP).
Aposta para 2014 - A criação de macacos transgênicos com sistemas imunológicos
enfraquecidos ou desordens cerebrais causadas pela técnica de edição genética
CRISPR foi uma das apostas da revistaNature para 2014. A pesquisa da
equipe chinesa mostra que já é possível a criação de macacos que ajudem
pesquisadores a compreender como funcionam doenças ainda enigmáticas para os
cientistas, como as que envolvem a mutação simultânea de vários genes.
Ainda não existem padrões éticos para determinar até onde podem
ir as alterações genéticas aceitáveis feitas em animais como os macacos
cinamologos e outros primatas. "Não sabemos se a sociedade contemporânea
ainda aceita experimentos com macacos. Será que vamos querer pagar o preço de
aumentar as pesquisas com primatas?", questiona a pesquisadora.
Fontes:
nome: Igor almeida n°33
nome: Guilherme Paixão n°11
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